
Pensei que se quadra os dicionários portugueses ofereceriam algumha pista sobre a origem, mas para a minha surpresa o que me oferecerom foi o dato de ser palavra espanhola (e segundo eles nom portuguesa). Seria originalmente castelá e de aí passaria ao galego? O dicionário da RAE nom aclarava nada: «origen incierto», indicaba.
Coma noutros casos de origens incertas (ou nom reconhecidas) suspeitei origem céltica, assim que procurei num dos meus habituais glosários de protocéltico, em concreto na English to Proto-Celtic Wordlist da Universidade de Gales. E velaí estava um *galbā- com significado em inglés de pot-belly (bandulho, barriga grossa). O vencelho semántico semelhava sólido: a nugalla (galbana) adoita-se vencelhar, via escaso exercício físico, co’a obesidade.
Entóm lembrei-me de que o Wiktionary adoita incluír abondosa informaçom etimológica para palavras de muitas línguas, assim que alá fum buscar algo que puidesse confirmar esa pista céltica. Constava como palavra do asturiano, galego e castelao (a verba latina tem o acento tónico noutra posiçom —gálbana—, é plural e nom tem tampouco relaçom semántica assim que a desbotei como pista). Curiosamente, facia-se mençom a proceder do árabe galbāba (pena, tristura), o qual nom me tinha muito sentido, e a referência era umha obra sobre etimologias do castelao, sem relaçom c’o galego nem c’o asturiano: Roberts, Edward A. (2014), A Comprehensive Etymological Dictionary of the Spanish Language with Families of Words based on Indo-European Roots. Davam entóm a entender que o caminho fóra árabe → castelao (com mudança de significado) → galego e astur-leonês? Por aí nom chegava a ningures, assim que probei se pola via do galbám havia máis sorte e podia achar confirmaçom da etimologia céltica.
Et voilà, velalí estava! Galbám/galvám procedia do protocéltico via o latin:
Borrowed from Latin galba, or directly from Proto-Celtic *galbā, perhaps from Proto-Indo-European *golbho- (“womb; animal young”).
Pescudando no latino galba, a cousa ficava mesmo máis nidia: por medio da língua céltica da Gália se introducira no latim c’o significado de persoa grossa.
A origem céltica ficava aclarada. Mas como nalgumha das minhas pesquisas atopei referência a ser possivelmente palavra emprestada ao céltico por algúm substrato preindoeuropeu, procurei no único idioma preindoeuropeu com o que tenho contacto: o éuscaro. E velaí estava também, c’o mesmo significada ca em galego e castelao, mas sem indicaçom etimológica e unicamente como preguiça e nom como preguiceiro. Se atopo no futuro informaçom etimológica sobre o galbana basco (procedente do latim? do castelao? do proto-basco?).
Em resumo, bem sexa o caminho gálico → latim → galego, ou céltico galaico → galego, ou mesmo preindoeuropeu (íbero? protobasco? …?) → protocéltico → galaico → galego, existe umha origem claramente céltica, na minha opiniom, à luz destas etimologias contrastadas.
É máis: cuido que a pervivência da palavra no galego asociada ao verbo sacudir, apunta ao significado original como bandulho / persoa com bandulho. Assim, «sacudir o bandulho» passaria a entender-se como «sacudir-se a preguiça» (cf. «move o cu!»), e o antigo bandulho céltico passaria a ser sinónimo de preguiça, por trasferência semántica.
Assim pois, incorporei a palavra á listagem wikipédica das palavras galegas que procedem do céltico, e também engadim a possibilidade (?) que se aponta no Wiktionary para galbám, à etimologia de galbana neste magnífico dicionário universal online, e por isso agora nom consta a etimologia árabe que me atopei eu no processo desta pesquisa etimológica, e que nom estava justificada se a fonte era un texto sobre o castelao.
PS1: Ao respeito da hipótese de vir do árabe, consulto o meu velho Diccionario Enciclopédico Espasa (8ª ediçom), e achega algo máis de informaçom: o termo árabe seria ġabāna, nom galbāba, e teria o significado de «tristeza, descontento, desánimo». A definiçom que dá em castelao para galbana seria: «f. fam. Pereza, desidia o poca gana de hacer una cosa». Ainda que o significado neste caso parece máis achegado, e polo tanto coherente c’o significado actual nas linguas castelá, galega e asturleonesa, nom vejo de onde aparesce esse L. Desconheço a evoluçom habitual das palavras de origem árabe no castelao, mas soa estranho que de gabāna →? galbana e nom explicaria o termo galbám que nom existe no castelao mas sim no galego. Polo tanto sego a considerar máis plausible que ao castelao chegasse por médio do galego e nom do árabe, sobre tudo tendo em conta que nom se constata o seu uso máis que a partir do s. XVIII, segundo o Diccionario Etimológico Castellano en Línea.
PS2: Consultando outros dicionários etimológicos do castelao confirma-se a hipótese céltica. Assim, no Diccionario general etimológico de la lengua española de José María Faniqueto (1887-89) pode-se ler:
ETIMOLOGÍA:
En la acepción de pereza, del galo galba, gordinflón, y en la de guisante, del árabe cholbán, guisantes: catalán, galbana.
E curiosamente recolhe términos derivados: galbanero/a e galbanoso/a, com análogo significado: «desidioso», «perezoso», «flojo», «holgazán», «dejado»… Ou sexa, o nosso galbám/galvám.
PS3: Joan Corominas, no seu Diccionario Crítico Etimológico Castellano e Hispánico, de maneira pouco surpreendente, nada diz de possíveis etimologias célticas mas sim que menciona o árabe ġalbân («preocupado, indeciso»; «abatido, desgraciado»), derivado de ġálab («vencer, dominar») como o substantivo ġálba, e engade o dato (ausente no Wiktionary) de galvana existir também no catalám (e também galbán no catalám de Huesca), a forma asturiana galbaniegu e o aragonês galbanar (bocejar). Menciona Corominas que ġalbân no árabe de Egipto tem o sentido de «abatido, deprimido» e «miserable, desdichado, enfermizo» e o remonta às Mil e umha noites onde aparece c’o significado de incapaz de prevalecer. El apunta a que a evoluçom de significados de «apurado, embarazado, indeciso, deprimido» a «indolente, sin ansia de trabajo» é doada. E menciona a obxeiçom que eu também via, de a apariçom tardia ir contra a verosimilitude da origem arábiga, segundo Spitzer.
PS4: Sobre o termo en éuscaro, no Diccionario trilingüe del castellano, bascuence y latín de Manuel Larramendi (1745) podemos ler:
Galbana, pereza, es voz bascongada, ò de baldana, pereza, y perezoso, ò de gal, galdu, y bana, banatu, perdido y fatigado. Galbana, baldana, baldanqueria. Lat. Pigritia, languor.
Com tudo, cumpre dizer que Larramendi nom é umha referência mui fiável na etimologia, pois é conhecido que inventava bastante.